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A Última Sessão de Cinema!

Tem uma cena, num filme que acho bem bacana do (sumido)  Lawrence Kasdan, Grand Canyon, em que o personagem de Kevin Kline, Mack, está reclamando, reclamando, reclamando da vida com o de Steve Martin (que faz um produtor de cinema Holywoodiano no pior sentido da palavra) de nome Davis (Santo IMDB!).  Na verdade não são
nem reclamações, são lamúrias, inquietações, dúvidas existenciais…

Quando o personagem vivido por Steve Martin (num papel sério) vaticina:

– Sabe qual o problema fulano? Você tem ido pouco ao cinema. Vá mais.
Todas as respostas para a vida estão no cinema.

Está é uma tradução livre, interpretativa e que mora no meu inconsciente tem décadas.

Kasdan é um cara interessante. Consegue fazer pequenas obras de arte como o Reencontro e O Turista Acidental (este acho que vi umas 50 vezes) e bombas como o Guarda-costas e Wyatt Earp.

É culpa dele talvez minha paixão por cinema no nível que tenho. Afinal, ele que escreveu Caçadores da Arca Perdida que fui ver uma sessão e mesmo abandonado pelos colegas, vi mais duas seguidas, fascinado por tudo da história.

Antigamente os cinemas permitiam isso.

Seguindo o conselho de Davis é isso que faço em minhas inquietudes. Sortear filme para achar respostas.

Bem, se não achei respostas pelos menos esta semana foi bacana pois tive dois encontros deliciosos com o Half Nelson de Ryan Fleck o El Nido vacío de Daniel Burman. Ambos cinemão de primeira, bem escritos e realizados.

O primeiro poderíamos dizer que é um misto de Ao Mestre com Carinho, Conrack com… Na boa? Sei lá. Rs. O mote é esse, parte da velha premissa de um “mestre exemplo que quer mudar o mundo” mas… é viciado em heroína. Um herói do Século 21. Com virtudes gigantescas e defeitos do mesmo peso é fascinante. Nos conduz a tragédia mas tem um final corajoso. Descobri depois que Ryan Gosling havia concorrido ao oscar por este filme. Mereceu.

Outro filme de Gosling que merece uma olhada (este já vi faz tempo)
Lars and The Real Girl sobre um sujeito, Lars, que resolve seu problema de
solidão comprando e noivando com uma Real Doll (Boneca inflável). Como toda cidade adora o cara, todos começam a conviver, gostar e se relacionar com a mesma com a naturalidade típica dos piscicóticos.

Digressões a partes, o segundo filme é o El Nido Vacio trata de um casal que depois da saida dos filhos de casa, voltam a ter que conviver apenas um com o outro. O filme é de um silêncio delicioso e diálogos ídens. Cenas como o Bolero de Ravel na galeria o os personagens flotando no lado de sal (notem as frases) são primorosos.
Eu teria ido mais na linha do musical na primeira, mas respeito a opção do diretor.
Assim como o final de Aprile, do Moretti.

Foram dois achados com certeza. E uma prova que dá pra fazer um cinema inventivo a partir de “velhas” fórmulas.

Pensei que fosse ver algo assim em Distrito 9 mas sai do cinema muito decepcionado. Não sei se vocês quando assistiram sentiram isso mas no final tudo é resolvido como em todo filme americano médio: na bala. E um tiroteiro começa do meio do segundo ato e só termina nos créditos. Funciona? Para um grande público acho que sim. Tanto que na saída do cinema ouvi a frase de um homem e sua mulher:

Homem

– Achei meio devagar no inicio. Mas do meio pro fim ficou bacana.

Ou seja: um consumidor feliz. Ponto.
Para mim não funciona. E acho que é uma questão de hábito. Multiplicam-se os multiplex e a qualidade (ou opção) do que se passa não. Na verdade uma repetição em cada sala.

O que me salva são os festivais, pesquisas na internet e os santos torrents.

É isso. Volto mais tarde depois da vitória do mengão (se Deus quiser) para falar de algumas sugestões que já vieram sobre o roteiro.

Inté.

ps.: achei o Trailer de Grand Canyon e nele tem a cena citada lá no começo. Santo YouTube.

“Davis – That’s part of your problem: you haven’t seen enough movies. All of life’s riddles are answered in the movies.”

Grand Canyon L. Kasdan

 

Foto cinema: http://www.egeac.pt/DesktopDefault.aspx?tabindex=0&tabid=15

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  1. Pajuaba
    novembro 22, 2009 às 6:52 pm

    Ryan Gosling é gênio, desde The Believer, onde ele é aquele skinhead ex-judeu (?!?).

  2. novembro 22, 2009 às 6:58 pm

    Pois é.
    Havia esquecido que era ele neste filme.
    Bom mesmo. Mias que um rostinho bonito.
    E se não viu o Half Nelson, não perca. Filmaço.
    E a trilha… hummmm.
    Repara a cena da compra do bagulkho por ele e a venda pela menina.
    Nada de diálogos, câmera pegando detalhes e os dois conversando com o olhar.
    Uma aula.

  3. novembro 22, 2009 às 8:52 pm

    Que post, Marton! Parecia até que ia ter o clima de “A Última Sessão…”? Mas não. Hum, ou talvez sim, se se ver noutro ângulo.

    Mas o Kasdan, que coisa, não? O curioso é que esses dois filmes sobre os quais você discorreu eu nunca nem tchuns. Sei lá. Nas locadoras, sempre olhava “Grand Canyon” e “O Turista Acidental”, e nada. Ele não nunca “me chamavam”. Taí, vou conferir.

    Agora, dica: se você acha que “Wyatt Earp” é uma bomba, veja “Silverado”, que é um faroeste de primeira. E o primeiro que ele dirigiu então, “Corpos Ardentes”? É tudo de bom, Marton, quentíssimo.

    (Taí de novo: preciso começar a repassar os filmes que vi e resgatar os filmes que eu deixei de ver sem saber por que deixei de ver. Mas contagem regressiva antes da virada do milênio. Que raramente ando tendo, como tinha antes, aquela tal de imersão como espectador.)

    P.S.: “Distrito 9”? Pô, Marton, o “Homem” matou. E se a linha da primeira parte prevalecesse, o sul-africano-não-afro-e-diretor-iniciante lá e o Peter Jackson não iriam descolar os milhares de verdinhas pra segunda parte, né? rs.

  4. novembro 22, 2009 às 9:13 pm

    Por partes.
    Sim, vi o Corpos e Silverado.
    Mas acho o melhor dele o Reencontro e o Turista Acidental (que acho uma obra de arte).
    O Reencontro lançou quase todos os atores que marcaram os anos 80/90.
    Glen Cloose, Jeff Colbum, Kevin Kline, Willian Hurt, Tom Berenger… E Kevin Kostner que depois teve todas as suas cenas cortadas na ilha de edição.
    A segunda parte foi exatamente o que imaginei. Tanto que o curta (que pode ser achado facilmente no Youtube) resolve bem melhor a questão.
    Acho até que poderia se recuperar um pouco disso.
    Nada contra bang-bang, até adoro, mas que ele não seja a resolução para o conflito não é?

    abração que o Flamengo já vai entrar em campo.

    • novembro 23, 2009 às 12:53 am

      Ôpa, gosto pra burro do “Reencontro”. Mas é que me deu tanta raiva daquela seqüência do funeral… Pois não é que ela deu de grudar feito chiclete em toda vez que ouço “You can’t always get what you want”? Que saco…rs.

    • Pajuaba
      novembro 23, 2009 às 2:20 pm

      Engraçado, nunca quis ver Turista Acidental, não sei se pelo velho preconceito de ter lido o livro antes, ou por pirraça em relação aos atores – ou porque minha mulher ficou insistindo tanto pra ver, que eu fiquei de má vontade 🙂 .

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